Deveria ser excêntrico, em finais de 2023, a publicação de um livro que junta a ideia de marginalidade à mulher. Deveria ser, mas de facto não é. Que o cânone literário seja ainda, em pleno século XXI, masculino é uma evidência tal que não precisa de demonstração demorada. Ora, uma diversificação desse cânone, que passe pela sua des-maculinização e sobretudo pela desnaturalização da marginalidade feminina na literatura e na sociedade depende antes de mais de descobrirmos (porque muitos nem sequer foram descobertos) e de estudarmos os textos escritos por mulheres e sobre mulheres.
Este livro convoca-nos para este esforço, trazendo para o centro da investigação académica e, daí, para a sociedade a mulher simultaneamente como agente e objecto da literatura, resgantando-a das periferias onde a história, a escola, os intelectuais, as famílias e a sociedade em geral (onde se incluem, naturalmente, as próprias mulheres) a empurraram. Em obediência a esta exigência, sobretudo a partir de 2014 um grupo de investigadoras e de investigadores começou a encontrar-se, tomando a literatura em língua portuguesa como objecto. Merecem a nossa admiração: sem esta investigação, não teríamos como saber se, o quê e como é que as mulheres aprenderam e escreveram, em que condições, que livros leram, que temas elegeram e por que motivo foram esquecidas. (Rodrigo Furtado)
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Deveria ser excêntrico, em finais de 2023, a publicação de um livro que junta a ideia de marginalidade à mulher. Deveria ser, mas de facto não é. Que o cânone literário seja ainda, em pleno século XXI, masculino é uma evidência tal que não precisa de demonstração demorada. Ora, uma diversificação desse cânone, que passe pela sua des-maculinização e sobretudo pela desnaturalização da marginalidade feminina na literatura e na sociedade depende antes de mais de descobrirmos (porque muitos nem sequer foram descobertos) e de estudarmos os textos escritos por mulheres e sobre mulheres.
Este livro convoca-nos para este esforço, trazendo para o centro da investigação académica e, daí, para a sociedade a mulher simultaneamente como agente e objecto da literatura, resgantando-a das periferias onde a história, a escola, os intelectuais, as famílias e a sociedade em geral (onde se incluem, naturalmente, as próprias mulheres) a empurraram. Em obediência a esta exigência, sobretudo a partir de 2014 um grupo de investigadoras e de investigadores começou a encontrar-se, tomando a literatura em língua portuguesa como objecto. Merecem a nossa admiração: sem esta investigação, não teríamos como saber se, o quê e como é que as mulheres aprenderam e escreveram, em que condições, que livros leram, que temas elegeram e por que motivo foram esquecidas. (Rodrigo Furtado)
Marginalidades femininas no mundo lusófono é um livro do gênero LITERATURA do autor Andreia Castro e Ana Cristina Comandulli editado por ALAMEDA
Marginalidades femininas no mundo lusófono tem um código ISBN 9786559661930 e consiste em 358 Páginas. Neste caso, é o formato papel, mas não temos Marginalidades femininas no mundo lusófono em formato ebook.
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