Na passagem para o século vinte, quando uma empresa multinacional como a São Paulo Tramway Light and Power Company Limited (ou apenas Light) começou a operar nesta periferia do mundo, a cidade de São Paulo mal saíra de sua condição de burgo acanhado. Na última quadra do século dezenove transformara-se não apenas na capital dos fazendeiros, mas também de industriais, banqueiros, negociantes de terras, que buscaram fazer do crescimento econômico, populacional e da própria cidade um grande negócio. Transformada em epicentro do conjunto da vida social ao longo do século vinte, a industrialização e a urbanização por ela induzida logo foram vislumbradas como promissores mercados para atividades estratégicas, como as de geração e distribuição de energia elétrica. Estratégicas demais para capitais concentrados e centralizados, como a Light. Dentre os critérios para a expansão das linhas de bondes elétricos e dos serviços de iluminação pública por ela controlados, durante certo tempo, estava a defesa de posições importantes que alcançara nos negócios imobiliários. Daí porque nem todos os pedidos de expansão dos serviços públicos feitos ao "polvo canadense" eram atendidos. O que apenas prenunciava que sua atuação, a uma escala temporal e espacial bem mais expressiva, iria marcar indelevelmente a metropolização de São Paulo.
Não surpreende que, quando começaram a ganhar concretude o que hoje se conhece como avenidas marginais, as várzeas, enquanto áreas de regularização do rio, houvessem sido desconsideradas para tal propósito, pois, no final das contas, já haviam sido incorporadas aos "negócios da Light", cujo envolvimento com as estratégias de valorização do espaço não constituía, afinal, novidade. A extraordinária desenvoltura da empresa nas diferentes estruturas e esferas do Estado não só permitiu a sua atuação monopolista por cerca de três quartos de século no mercado de energia elétrica nesta região que se tornou o epicentro da industrialização brasileira, como lhe possibilitou atuar decisivamente na metropolização de São Paulo, dialeticamente abrindo e embotando possibilidades pela redefinição das relações dos citadinos, não apenas com os rios e suas várzeas, mas com a própria cidade, que, ao fim e ao cabo, foi transformada noutra coisa.
Sérgio Martins
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Na passagem para o século vinte, quando uma empresa multinacional como a São Paulo Tramway Light and Power Company Limited (ou apenas Light) começou a operar nesta periferia do mundo, a cidade de São Paulo mal saíra de sua condição de burgo acanhado. Na última quadra do século dezenove transformara-se não apenas na capital dos fazendeiros, mas também de industriais, banqueiros, negociantes de terras, que buscaram fazer do crescimento econômico, populacional e da própria cidade um grande negócio. Transformada em epicentro do conjunto da vida social ao longo do século vinte, a industrialização e a urbanização por ela induzida logo foram vislumbradas como promissores mercados para atividades estratégicas, como as de geração e distribuição de energia elétrica. Estratégicas demais para capitais concentrados e centralizados, como a Light. Dentre os critérios para a expansão das linhas de bondes elétricos e dos serviços de iluminação pública por ela controlados, durante certo tempo, estava a defesa de posições importantes que alcançara nos negócios imobiliários. Daí porque nem todos os pedidos de expansão dos serviços públicos feitos ao "polvo canadense" eram atendidos. O que apenas prenunciava que sua atuação, a uma escala temporal e espacial bem mais expressiva, iria marcar indelevelmente a metropolização de São Paulo.
Não surpreende que, quando começaram a ganhar concretude o que hoje se conhece como avenidas marginais, as várzeas, enquanto áreas de regularização do rio, houvessem sido desconsideradas para tal propósito, pois, no final das contas, já haviam sido incorporadas aos "negócios da Light", cujo envolvimento com as estratégias de valorização do espaço não constituía, afinal, novidade. A extraordinária desenvoltura da empresa nas diferentes estruturas e esferas do Estado não só permitiu a sua atuação monopolista por cerca de três quartos de século no mercado de energia elétrica nesta região que se tornou o epicentro da industrialização brasileira, como lhe possibilitou atuar decisivamente na metropolização de São Paulo, dialeticamente abrindo e embotando possibilidades pela redefinição das relações dos citadinos, não apenas com os rios e suas várzeas, mas com a própria cidade, que, ao fim e ao cabo, foi transformada noutra coisa.
Sérgio Martins
Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder c'est un livre du genre L'HISTOIRE de l'auteur Odette Carvalho de Lima Seabra édité par ALAMEDA
Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder a un code ISBN 978-85-7939-306-8 et se compose de 206 pages. Dans ce cas c'est le format papier, mais nous n'avons pas Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder au format ebook.
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